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domingo, 9 de janeiro de 2011

Capítulo 02 - Sem escapatória

- Colégio  Três Marias - disse para mim mesma enquanto caminhava rumo a um  prédio amarelo  envolto em propagandas de matrículas e faculdades, tudo aquilo me parecia familiar e ao mesmo tempo, meus passos foram diminuindo aos poucos enquanto aquela multidão ia entrando naquele prédio
" Você não está com medo, está?"
Tudo e nada, essas idéias parecem totalmente diferentes á primeira vista, mas era o que invadia os meus pensamentos naquele momento. Lá estava eu, cercada por uma multidão de pessoas que veria todos os dias, mas não conhecendo ninguém.
"Volte para trás, não foi o que fez da última vez?"
Não podia ser tão difícil, afinal, no começo você não conhece ninguém mesmo, certo? Só depois que vai conhecendo aos poucos as pessoas a sua volta e vai se familiarizando, bom, pelo menos era o que a minha mãe sempre me dizia...Eu só precisava olhar o papel e ir para a sala, certo? O poderia ter de tão difícil nisso?
- Mariana, Pedro Augusto, Pedro Carvalho, Roberto...Rose! Terceiro B, sala sete.
Após alguns minutos andando por um corredor branco com algumas placas numeradas colocadas á parede, comecei a olhar para os lados, todas aquelas pessoas conversando normalmente umas com as outras, o que eu não...aquilo era estranho, por que eu sempre fazia aquilo comigo mesma? Apenas preste atenção! Preste atenção!
- Achei... – falei bem baixinho enquanto escolhia uma carteira em meio a tantos lugares vazios, mas no final eu sabia, eu sempre escolheria a mesma, independente de onde eu estivesse ou fosse, aquele lugar sempre seria o melhor
O sol entrava pela janela por pequenas frestas, mas já era o bastante para mim, fiquei algum tempo olhando para aquela janela ao meu lado, mas logo depois me pus a observar as pessoas que começavam a entrar na sala, elas pareciam tão calmas e descontraídas, umas falavam sobre o encontro do outro dia, outras comentavam sobre as férias, e outras apenas reclamavam que estavam com sono, mas todas elas estavam felizes.
Felicidade...o que é isso?
As horas começaram a passar, e eu só conseguia olhar para a janela, e poucas vezes virava o rosto para dar uma olhada nas horas em um relógio grande que estava pendurado á parede, logo acima da lousa, enquanto um dos professores explicava, duas garotas cochichavam algo ao meu lado, eu não conseguia entender direito o que era,mas acho que era sobre mim, porque vez ou outra eu podia perceber uma delas olhando para mim. Por que? Por que eu não sou capaz?
“ A sua vida é triste, Rose.”
O intervalo chegou e eu apenas sentei e procurei alguma coisa para ler, não que ler fosse algo que  eu realmente gostasse, mas ás vezes ajuda a disfarçar um pouco tudo o que acontece, ajudava a distrair, e naquele momento, até rótulo de garrafinha de água que estava caído no chão eu cheguei a ler.
O sinal tocou novamente e tudo continuou como estava, eu fui para a sala e sentei na mesma carteira e comecei a olhar para a janela, tudo tão tranqüilo, mas aquilo tudo me dava medo, eu sabia onde eu podia parar por continuar onde estava, mas mesmo assim, eu gostava de ver os raios de sol lutando para entrar naquela sala meio fria. Tudo parecia tão calmo, até que uma pequena voz feminina  e autoritária começou a surgir no corredor, e foi aumentando cada vez mais.
- Senhor William! – falou com a voz autoritária para o garoto que estava ao seu lado, enquanto se colocava em frente a minha sala e retirava o que parecia ser um bloquinho de sua bolsa
- Sim, eu mesmo. Ah! William, por favor.
- Isso lá são horas de se chegar?  Você pensa que aqui é a sua casa?
 - Não.
Os dois ficaram em silêncio durante alguns instantes, e logo após se podia vê-la pegando uma caneta, e riscando algo naquele bloco um tanto desengonçado, enquanto o garoto de cabelos um pouco picotados e negros  olhava fixamente para seu rosto.
- Desculpe, mas hoje você não pode ficar aqui. Apenas vá para casa, está bem? – disse enquanto guardava a caneta e entregava um papelzinho do bloco para ele, apontando para o fim do corredor – Não se esqueça de pedir para sua mãe assinar.
O garoto não falou nada, apenas se virou e começou a andar.
- Garoto estranho, não? – falou a garota de cabelos lisos com mechas rosas, deixando cair algumas moedas sobre sua carteira – Dizem que ele não tem nenhum amigo por causa do jeito dele, mas apesar disso, alguns garotos conversam com ele de vez em quando...Qual o seu nome?
- Rose, e o seu?
- Sandra. E aí, Gostando da escola?
- Sim.
- Que bom, fico feliz. Qualquer coisa, ou dúvida, se precisar é só chamar, viu?
- Tá. Obrigada.
Ela me parecia ser uma boa pessoa, o que havia demais em tentar conversar com ela? O que poderia dar de tão errado? Quer dizer, se eu nunca tentar, eu nunca vou saber, certo? Vamos lá...
Mas antes que eu pudesse falar mais alguma coisa, ela já estava perto da porta conversando com mais duas garotas, uma de cabelos castanhos escuros e lisos desfiados envolvendo seu rosto um pouco redondo e outra de cabelos loiros com algumas mechas tampando seu ombro.
Eu...
“ Fracassada!”
O tempo foi passando e eu apenas voltei a olhar para a janela, olhando para  o relógio e a janela, a lousa e o professor meio careca, a porta, o relógio... até que por vez, me levantei para poder ir embora. Comecei a seguir aquela multidão rumo a saída, tudo estava acabando, eu só precisava sair dali e...tinha algo me tocando! U...Uma mão!
- Rose, certo? – falou a voz calma enquanto segurava o meu braço – seu nome é Rose, estou certo?
- Si...sim. – falei meio hesitante enquanto todo o resto do meu corpo parecia congelado, eu não podia ver quem estava atrás de mim, não que eu não conseguisse e nem quizesse , mas algo dentro de mim me dizia para não olhar para trás – O meu braço...Por favor...
- Bom... muito bom.
E ficou em silêncio durante alguns segundos, eu não conseguia entender direito o que estava acontecendo, mas momento algum consegui me mexer, apenas conseguia ouvir o barulho de passos no corredor e logo após, uma voz sussurrar ao meu ouvido.
- E se eu te dissesse que tenho as respostas para todas as suas perguntas Rose, o que você faria?
As respostas para todas as minhas perguntas? Quem era ele? Como assim respostas? Ele nem me conhecia, e me falou isso como já me conhece-se, uma resposta...eu tenho tantas perguntas, mas talvez fosse uma brincadeira, como...
“ Esqueça isso! Apenas responda ou saia correndo”
- Nada. Eu não faria nada.
Foi a única coisa que consegui responder naquela hora, mas foi o bastante para que ele ficasse quieto por uns instantes e logo após, começa-se a fazer barulhos como se estivesse me analisando ou algo parecido, eu não conseguia entender direito o que estava acontecendo, mas de uma coisa eu poderia ter certeza, aquilo não poderia ser bom.
- Hmmm...muito bom. Agora você já pode ir – disse enquanto soltava meu braço vagarosamente – mas foi um prazer conhecê-la, senhorita Rose! Ah...e  por  favor, me desculpe pelo seu braço.
- Quem é você?
- Na hora certa você saberá, na hora certa. Até mais, Rose.
Eu apenas senti um leve toque no ombro e depois, só me lembro de ouvir alguns passos em direção ao corredor onde eu estava, tentei olhar para trás, mas não consegui ver nada além de um corredor meio vazio e algumas portas, dava-se para ouvir o barulho de passos, um pouco barulhentos e rápidos, podia se perceber que eram de crianças, deveria ser das crianças da turma da tarde, mas elas só entravam a uma hora...
- Quanto tempo se passou?

domingo, 2 de janeiro de 2011

Capítulo 01 - A garota da rosa

Estava tudo escuro, um mar de escuridão encobria a minha frente, tentei olhar para meu corpo durante um instante, e apenas conseguia ver um longo vestido tingido de vermelho envolto sobre ele, enquanto gotas caiam sobre minha cabeça, eu olhava para todos os lados tentando enxergar algo, mas conseguia apenas ver aquele enorme vazio. Um profundo calafrio começou a percorrer o meu corpo e aos poucos, o medo começava a me dominar, minhas pernas começaram a tremer e como se elas tivessem combinado, desabaram ao chão deixando-me de joelhos naquele mar de escuridão, aquela  sensação de que tudo estava perdido, que não havia escapatória, eu a conhecia bem, muito bem.
   “Rose”, foi essa sua única palavra, mas foi o bastante para que todo o medo que eu sentia desaparecesse no mesmo momento, enquanto levantava o meu rosto com uma de suas mãos, tentei olhar para frente e ver seu rosto, mas só consegui ver a mão que agora acariciava meu rosto.
  “Não tenha medo, Rose” , essas foram suas últimas palavras, e com elas uma chuva de pétalas começava a tomar conta daquela escuridão, fechei os meus olhos enquanto sentia as rosas caírem sobre meu corpo.
  Abri os olhos e olhei a minha volta, lá estava  a realidade a minha frente, não sei bem o porque, mas era sempre aquele mesmo sonho que se repetia, minha mãe sempre me disse para não ligar muito para essas coisas, mas aquele sonho me intrigava, havia algo nele que era especial, eu só não sabia bem o que, mas algo dentro de mim me dizia que ele não era um sonho qualquer.
  Fiquei ali deitada durante alguns minutos olhando para o teto, pensando em algo que pudesse explicar, mas talvez fosse melhor deixar para trás, era apenas um sonho, e sem nem perceber, aquele pensamento veio a minha cabeça.

“É sua última chance, não a estrague.”

 A porta se abriu.
  - Rose! Você vai se atrasar, rápido! –  Disse enquanto acendia as luzes rapidamente e jogava uma calça jeans meio velha e uma camiseta branca com o símbolo de uma cruz envolta aos dizeres: Colégio Três Marias, ao meu colo – Rápido!
  - Sim.
  Apenas afirmei e comecei a me vestir o mais rápido que consegui, correr contra o tempo para tentar chegar na escola na hora não era lá um dos meus passatempos prediletos, mas ás vezes um pouco de adrenalina era bom para dar uma acordada, vendo pelo lado positivo, pelo menos eu não dormiria no ônibus, não com um relógio por perto.
  - Tchau mãe.
  - Vai com Deus minha filha. E tome cuidado para atravessar a rua!
  - Pode deixar.
  E sai correndo como uma louca, eu precisava pegar aquele ônibus, eu não podia chegar atrasada, não no meu primeiro dia, corri mais e mais e ao olhar para o ponto, ele já estava partindo, eu o havia perdido, não pude fazer muito além de olhá-lo sumindo no horizonte enquanto tentava controlar a minha respiração.
“ Esse ano precisa ser diferente, por favor.”
  Era somente nisso no que eu conseguia pensar naquela hora. Foi então que parei para ver o que estava a minha volta,  já era Outono, as folhas encobriam o chão em uma espécie de tapete marrom, o vento soprava como se estivesse sussurrando nos ouvidos de alguém, e faziam meus cabelos voarem ao mesmo ritmo em que soprava. Como eu não havia percebido tudo aquilo antes? Como eu fui deixar passar tanto tempo, todas aquelas coisas, todos aqueles momentos não vividos, o que eu estava fazendo todo esse tempo? O que eu estava fazendo comigo?
“ Esqueça, apenas esqueça”
  Eu tentava negar a mim mesma o que eu estava fazendo, mas não podia, no fundo eu sabia que aquilo tudo era apenas  passado, eu não podia deixar que lembranças me atolassem mais e mais, não daquele jeito. Foi então que senti um calafrio percorrer meu corpo, ao ouvir uma voz leve e aveludada.
 - Olá, Rose.
 - Como você...
E como por reflexo, voltei-me para trás, e através de algumas mechas de cabelo que tampavam meus olhos, a imagem de um garoto de cabelos castanhos bem claros, e pele branca como a neve, vestido com um jeans e uma camiseta branca  meio tampada por um moletom preto , sorria gentilmente para mim.
- Perdeu seu ônibus?
- Meu Nome...
- Desculpe?
- Como você...meu nome...Você...- minha voz caia alguns decibéis enquanto a expressão de espanto tomava conta de meu rosto, ele parecia tão relaxado ao ter falado aquilo, como se me conhecesse, mas de onde? De onde ele me conhecia?
- Como eu sei? Bom, eu não sei.
- Então como?
- Então eu acertei?
- Mas, eu te conheço de algum lugar? - falei enquanto olhava ainda meio pasma para ele, aqueles olhos verdes, eu não me lembrava de quase nenhum garoto de olhos verdes, não, eu não teria esquecido se tivesse conhecido um cara como ele.
- Que eu saiba, não. Eu apenas chutei. – e fixou seu olhar para meu rosto, que agora estava abaixado, esperando talvez uma reação minha, mas minutos depois continuou - Seu broche, ele é uma rosa, então resolvi te chamar de Rose, não me leve a mau, eu sempre faço isso com as pessoas, então...
- Costume, certo?
- Bem, é por aí. Eu tenho alguns costumes estranhos, mas nada muito assustador, fique tranqüila.
- Não, tudo bem. Eu só fiquei um pouco assustada.
  Ficamos em silêncio durante alguns instantes, eu olhava desesperada para o relógio esperando que chegasse logo, onde todos os ônibus vão parar quando você mais precisa deles? Comecei a olhar para os lados, e nada, nem sinal.
 - Por favor, hoje não.
- Você, seu nome é Rose, certo?
 Eu parei por um momento enquanto olhava para aquela presença que caminhava para se colocar ao meu lado,  ele estava bem calmo para alguém que estava para chegar atrasado na escola ou onde quer que fosse.
 - Posso te pedir um favor, Rose?
 - Hm...depende. O que seria?
- Posso dar uma olhada no seu broche, ele é muito lindo, me parece ser um trabalho feito a mão – ele falava cada palavra calmamente, enquanto estendia sua mão para mim – Posso?
 - Claro.
 Tirei imediatamente o broche de minha bolsa e coloquei sobre sua mão, a qual pegou-o com delicadeza e analisava o pequeno broche de cima a baixo, e passava seus dedos delicadamente sobre as pétalas da pequena rosa de cobre.
- Interessante. – falou em um sorriso que misturava alegria e satisfação – Espero que não tenha a incomodado, muito obrigado.
 - De nada.
 Logo após ele agachou-se e prendeu levemente o pequeno broche na bolsa novamente. Que estranho, ele ter reparado no broche, quer dizer, quase ninguém reparava nele, e se via, olhava meio torto e ignorava, ele devia gostar de coisas artesanais ou algo assim, mas quem era eu para julgá-lo?
  Então ele ergueu seu braço em um gesto como um sinal para parar o ônibus que estava chegando, e subindo as escadas, parou durante um tempo e começou a olhar para mim. E com um olhar confiante, apenas sorriu e me disse:
- Nos veremos em breve, Rose.
E ele se foi.
 

Blood Rose - Prólogo

Rose, as pessoas sempre me diziam que esse era um nome para pessoas delicadas, meigas e carismáticas, frágeis como uma rosa, esse não deveria ser o meu nome. Talvez porque eu não tivesse muito haver com aquele nome, ou talvez, porque ele estava por cavar a minha cova.
            Por entre aqueles olhos vermelhos, vi a face de um monstro, em seus caninos agora cobertos por sangue, a cor de sua dor transparecia, e a cada passo que chegava mais perto, um misto de desespero e satisfação invadiam seu rosto. Na hesitação de seus passos, consegui sentir seu coração, e por um momento fechei os olhos enquanto acompanhava o leve som de sua respiração. E eu sabia, daquele dia em diante, eu nunca mais seria a mesma.

“Seja uma boa menina, Rose.”

sábado, 1 de janeiro de 2011

Capítulo 01 - Redoma de vidro

“ Tem duas pessoas desesperadas no mundo e só uma encanta com seu sorriso...”

- Com certeza essa pessoa não sou eu...
Comentou consigo mesma ao ouvir um dos trechos daquela estranha melodia que saia através de um pequeno rádio colocado ao lado de um enorme balcão cercado por lindas e luxuosas bonecas.
            Seu olhar percorreu vagarosamente por cada uma daquelas lindas feições, analisando cuidadosamente cada uma de suas companheiras, tentando guardar ao máximo de tudo o que via, pois sabia que aquele poderia ser o último dia em que estaria ali para ver a pequena casa de bonecas Sweet Lady novamente.
            Ou pelo menos era assim que preferia pensar, por mais que seu coração palpitasse a cada barulho de porta abrindo-se, simplesmente não podia mais continuar negando para si mesma  o que estava bem na sua frente, os ponteiros do velho relógio giravam e a cada dia novas outras bonecas chegavam e eram vendidas.Quase nunca conseguia tempo  para conhecer uma delas, e quando conseguia, no outro dia elas partiam sem nem ao menos se despedirem.
            Apenas ela continuava ali, com seus olhos meio azulados olhando tristemente para algumas pessoas que passavam pela calçada através de uma vitrine. Quanto tempo mais ficaria ali?
            O mundo girava a sua volta e nem ao menos podia sair daquela redoma de vidro que a cercava. Seus cabelos loiros e brilhosos agora tingiam-se da poeira a qual os anos naquele pequeno cárcere de vidro fizeram questão de lhe presentear, juntamente com uma nova cor meio escurecida para suas antigas vestes brancas e rendadas.O tempo passara e ela permanecia ali, no mesmo lugar.
            - Como um relógio quebrado...
Falou novamente ao olhar para um dos ponteiros do velho relógio de madeira que falhava ao tentar alcançar o seu destino. Logo em seguida fechou seus olhos como se por um instante, estivesse prevendo o que aconteceria.
Vários pensamentos passaram por sua cabeça, desde os mais alegres, como as longas tardes em que passava junto a seu criador, na época em que era apenas um simples pedaço de resina a ser transformado, e pouco a pouco lembrava-se de suas gentis mãos  acrescentando-lhe lindos traços e se certificando de que cada parte estaria combinada harmoniosamente,  sua voz meio aveludada falando-lhe coisas as quais não entendia, mas que pelo seu tom, pareciam ser carinhosas e boas.
Essas simples lembranças a acalentavam, ao mesmo instante em que a deixavam em dúvida e hesitação, trazendo junto consigo, outras lembranças dolorosas e que acabavam com ela aos poucos.
Uma cristalina lágrima escorria por seu rosto ao recordar, em seus pensamentos, da mesma mão que a criara, levando-a para um lugar escuro e sombrio, colocando-a  dentro de um estranho recipiente de vidro redondo e estreito, e sem dizer uma palavra, apagando todas as luzes de seu mundo ao depositar a redoma de vidro dentro de uma caixa de papelão, levando-a para aquele estranho lugar ao qual passara a chamar de lar.
Uma segunda gota de água saiu de seus olhos e ao cair silenciosamente sobre suas vestes, fez um som inaudível para quem estivesse  por perto, mas que conseguia passar a todos que viam sua estranha presença ,  seus sentimentos até então guardados secretamente dentro de seu coração de resina.
“Porque bonecas não choram...”
Pensou consigo mesma ao tentar conter as lágrimas que escorriam, mas aquilo era inútil para ela, as pequenas gotas continuavam saindo por seus olhos sem que conseguisse detê-las. Por que conter suas lágrimas se ninguém podia vê-las?
“Bonecas não choram...”
Falou novamente fechando  seus olhos e tentando conter toda a tristeza que transbordava através de seus olhos. Seria aquele o seu destino?
Ficar amargurando momentos passados, chorando todas as noites perguntando-se o que havia feito de errado para ser abandonada daquele jeito parecia ter virado algo freqüente para os olhos azuis que apenas desejavam um dia poder ver  o como o mundo seria por fora da redoma.
Um barulho ecoou pela loja e uma porta era aberta, o vendedor já um senhor com seus setenta anos, e longas primaveras vividas dirigiu-se vagarosamente em direção ao jovem garoto de cabelos negros e olhos verdes, que entrara para observar as bonecas.
- Posso ajudá-lo?
Perguntou o senhor ao olhar para o rosto meio pálido do garoto que analisava atentamente a vasta coleção posta á venda ao seu redor e passeava com seus olhos verdes por cada delicado rosto até chegar ao branco e cálido da simples garota de resina e vestes brancas.
- Essa aqui. Quanto custa?
- Mas essa? Bom, essa... ela é de uma linha já descontinuada a um tempo, talvez seja um dos últimos modelos existentes  dessa coleção. Talvez fique um pouco mais cara do que os modelos mais novos.
- Tudo bem. Mas quanto ficaria?
- Uns trezentos reais mais ou menos.
- Trezentos reais!?
- Como eu te disse, é de uma coleção que já saiu de linha à um tempo.
O jovem rapaz parou durante uns instantes, encarando a estranha presença presa naquele cárcere com uma  certa curiosidade e logo após, voltando-se para o senhor.
- O senhor poderia guardá-la para mim? Seria só até eu ter o dinheiro suficiente para comprá-la, eu prometo que não vai demorar muito e...
- Tudo bem meu jovem, eu posso guardá-la para você. Ela estará a sua espera da próxima vez em que voltar aqui.
- Obrigado! Muito obrigado. Eu voltarei logo.
“ Eu voltarei logo...”
Repetiu para si mesma ao compasso em que aquelas palavras passavam a mil por hora em sua cabeça e, a cada vez que se via repetindo perguntava-se se aquilo era mesmo real ou apenas mais uma peça pregada pelo destino.
- Eu voltarei logo...

~> Apresentação

Bem-vindos caros leitores.
Primeiro de tudo quero agradecer a todos que estão lendo minhas histórias,quer dizer, que lerão, pois este é o primeiro post. xD
Neste espaço estarei colocando algumas histórias as quais estou escrevendo no momento, e também algumas que comecei a escrever e pretendo continuar esse ano.
E talvez apareçam algumas crônicas. :D
Estou tentando fazer algumas, mas acho que não levo muito jeito...
.-.
Bom, acho que é isso...^-^
Obrigada pela atenção e boa leitura.
Se puder, comentem dizendo o que acharam,
e se tiverem alguma sugestão ou crítica, podem fazer sem medo. ;D